Com cinco dias para se manifestar sobre relatório de mais de 200 páginas, conforme despacho do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, o procurador-geral da República Paulo Gonet ofereceu parecer no mesmo dia, à noite, pedindo para que o ministro reconheça a nulidade do documento produzido pela PF, e também o seu arquivamento.
O relatório, que trata de dados de investigações sobre mensagens de Daniel Vorcaro a interlocutor do próprio Gonet, advogado do Master por nome de Ciro Soares, por meio do qual o procurador-geral conversava com o banqueiro criminoso, ao ministro Alexandre de Moraes e também com sua mulher, Viviane Barci de Moraes, é considerado uma peça ilegal pelo PGR porque segundo ele Mendonça não poderia investigar o colega do STF.
Gonet, que numa das mensagens diz “adorar” Vorcaro e “tomara que tenha Macallan,” referindo-se ao caro uísque ofertado pelo banqueiro ao próprio procurador e outras autoridades em Londres, como o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, diz que o relatório foi gerado por meio de duas irregularidades.
Uma teria partido de uma iniciativa do próprio relator, sem provocação do Ministério Público ou da autoridade policial, e avançou sobre referências a Moraes sem que o Plenário do STF autorizasse uma investigação contra um de seus integrantes.
O procurador-geral argumentou que Mendonça sabia que a determinação para aprofundar os elementos encontrados pela PF – o relator queria saber quem era o interlocutor de Vorcaro nas mensagens em que não aparecia o destinatário – alcançaria Alexandre de Moraes, autoridade com prerrogativa de foro.
“Não importa o grau de investigação que a providência constitui, é inegável que houve imersão em elementos dos autos para buscar indicativos de envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes em ilícitos”, afirmou.
Paulo Gonet tenta desmoralizar o trabalho de Mendonça ao dizer que somente o Plenário do Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar ministros da Corte. De modo que, na sua visão,Mendonça deveria, ao surgir indicios que justificassem aprofundar a apuração sobre Moraes, ter levado o material ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, para que o colegiado decida sobre a abertura de uma investigação.
O argumento parece nao se sustentar, uma vez que foi revelado por toda a imprensa que André Mendonça esteve no domingo, 30 de agosto, com o presidente Fachin justamente para relatar o que a PF encontrou nas mensagens de Vorcaro e decidiu colocar em Plenário presencial, de ” forma pública e transparente,” o pedido de autorização dos ministros para decidir por uma abertura ou não de investigação contra Moraes.