A saída do ministro Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) marca a 15ª troca ministerial do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva em três anos de gestão. O ex-ministro, velho amigo do presidente da República, pediu demissão no último dia 8, alegando motivos pessoais.
O próximo a entregar o cargo deve ser o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que em dezembro confirmou deixar o posto no mês de fevereiro para se dedicar à campanha de reeleição de Lula.
A ministra da Igualdada Racial, Aniele Franco, também vai sair, tem pretensão de disputar uma vaga para deputado federal este ano, e caso entre na campanha ao governo do Ceará o ministro Camilo Santana (Educação) pode deixar o posto.
O cenário no Estado ficou nebuloso desde que se especulou a possibilidade de Santana ser o candidato do PT no lugar do atual governador petista Elmano de Freitas. Santana, diante da situação, deverá disputar o Senado. Ele também é peça que poderá substituir candidatos ao legislativo, como a atual ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que tentará a reeleição para deputada federal.
As primeiras demissões de ministros ocorreram ainda em 2023. O general Gonçalves Dias deixa o Gabinete de Segurança Institucional em meio às críticas a sua atuação no episodio do 8 de janeiro. A ministra do Turismo Daniela Carneiro, a dos Esportes, ex-atleta Ana Moser e Marcio França deixam seus postos. França é realocado do Ministério de Portos e Aeroportos para o Empreendedorismo, criado na ocasião.
Em 2024 saem Flavio Dino da Justiça, alçado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), e Silvio Almeida do Ministério dos Direitos Humanos, envolvido em acusações de assédio por parte da colega ministra Aniele Franco.
Com críticas cada vez maior à Comunicação da Presidência da República e do governo em geral, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) deixa a Secretaria de Comunicação Social (Secom) no início de 2025, ano em que também deixa o Ministério da Saúde, Nísia Trindade, que também vinha recebendo críticas pela omissão no combate à dengue, e pressionada pelo centrão.
O médico Alexandre Padilha, que ocupa a pasta de Relações Institucionais, passa para a Saúde, e a deputada Gleisi Hoffmann assume o ministério de articulação com o parlamento. No ano de 2025, o de maior número de demissões, foram exonerados ainda Cida Gonçalves (Ministério das Mulheres); Juscelino Filho (Comunicações), que demorou a ser demitido em razão de denúncias contra ele; Carlos Lupi (Previdência), após a operação Sem Desconto, que desbarata quadrilha que rouba aposentados e pensionistas do INSS; Marcio Macedo (Secretaria-Geral da Presidência), substituído pelo deputado Guilherme Boulos; e Celso Sabino (Turismo), demitido após as ameaças de desfiliação por parte de seu partido, o União Brasil.
Governo Bolsonaro: 30 trocas
Em março de 2022, último ano de governo, a gestão Jair Bolsonaro já acumulava quase 30 trocas de ministros, o dobro do atual governo. As pastas que mais sofreram troca foram a da Educação e Secretaria-Geral de Governo, quatro trocas cada.
O governo foi estruturado com 23 ministérios. O governo Lula 3 tem 38 pastas.