Governo não se inscreve nos EUA para discutir tarifaço, mas envia observadores

Audiências públicas foram marcadas para 6 de 7 de julho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Flávio Bolsonaro tem fala prevista para terça-feira, 7.
Marcio Rosa, ministro da Indústria e Comércio, tem se encontrado com autoriades americanas. Foto:Reprodução/Canal.gov.

O governo brasileiro decidiu não se inscrever nas discussões de audiência pública iniciadas nesta segunda-feira, 6, para discutir a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, recomendada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Os que se inscreveram para a audiência se reunem na sede da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, havendo nova rodada de debate na terça-feira, 7, com a previsão de fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A Embaixada do Brasil em Washington preferiu enviar representantes, na condição de observadores, para que o governo tenha ciência dos argumentos colocados, segundo o G1. Foram convidados para a audiência representantes de empresas, associações e entidades do Brasil e dos Estados Unidos.

O debate antecede à data prevista para entrada em vigor da tarifa,  prevista para 15 de julho, o que depende exclusivamente do presidente Donald Trump.

O Ministério das Relações Exteriores, segundo o G1, diz que o entendimento do governo brasileiro é que este espaço, das audiências públicas, não é o adequado para negociação real. O espaço adequado, considera, são as “conversas técnicas e de alto nível” que têm havido nas últimas semanas e que estão programadas para os próximos dias.

Uma dessas conversas aconteceram na semana passada. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, teve uma conversa com o representante do escritório comercial dos EUA, Jamieson Greer. Rosa informou, após o encontro, que novas conversas estão previstas para os próximos dias.

A sobretaxa de 25% atinge milhares de produtos manufaturados e industriais brasileiros, baseando-se na Seção 301 da Lei de Comércio americana. A USTR acusa o Brasil de práticas comerciais desleais em serviços digitais, o que inclui o PIX, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento. Commodities e itens estratégicos, como café, carnes, minérios e aviões estão isentos.

O governo do Brasil já apresentou uma proposta de encaminhamento em torno de seis pontos levantados pelos EUA, mas ainda não recebeu resposta formal.

A avaliação de parte do governo e do Itamaraty, nos bastidores, é que a recomendação feita pelo USTR tem caráter político e “desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelos negociadores ao longo do último ano,” diz ainda o G1.

 O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-cadidato à Presidência, se inscreveu para falar sobre a sobretaxa proposta. Ele participa de um painel marcado para o segundo dia de discussão, terça-feira, 7, às 10h, dividindo a mesa com Roberto Azevedo, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e com integrantes dos setores de calçados do Brasil e dos EUA.  A

Ao se inscrevere para participar do debate, disse que participará como integrante do Senado Federal do Brasil e pré-candidato à Presidência da República,  pediu cinco minutos, o tempo padrão, e que falará em inglês.

De acordo ainda com o G1, os pontos que o senador abordará são:

  • Posicionamento contrário à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a qualquer medida relacionada ao PIX brasileiro;
  • Diz que as sanções americanas, na prática, beneficiariam o atual governo e prejudicariam exportadores brasileiros, consumidores americanos e a oposição brasileira;
  • Afirma que as sanções não atingiriam o objetivo de eliminar as práticas investigadas e poderiam produzir o efeito oposto ao desejado;
  • Propõe a abertura imediata de um mecanismo de negociação bilateral. Essa negociação teria um cronograma, com prazo para ser concluída, e incluiria as seis áreas da investigação: comércio digital, corrupção, propriedade intelectual, etanol, desmatamento e tarifas; e
  • Diz que a distância entre a posição dos EUA e um governo brasileiro “reformista” seria menor do que a existente com o atual ocupante do cargo, o presidente Lula.