Ibama e PF destroem 47 embarcações e motores usados em garimpo no Madeira

Em mais uma ação de combate à extração ilegal de ouro, artefatos explosivos são usados para destruir equipamentos no local.
Operação Leviatâ II no Rio Madeira. Foto: Divulgação/ PF.

A Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagraram na sexta-feira, 27, a Operação Leviatã II, em mais uma atividade de repressão contra a extração ilegal de ouro no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), proximidades de Humaitá, Igarapé do Beem e Lagoa Paraíso.

Foram destruídas na operação 47 motores, dragas e balsas empregados na atividade de garimpo de ouro, o que para a Polícia é estrutura organizada e capacidade de exploração em larga escala. Como as instituições não removem os equipamentos, eles são destruídos no próprio local, causando transtornos a moradores ribeirinhos.

Segundo a PF, as investigações continuam com objetivo de identificar financiadores, operadores da logística e demais integrantes da cadeia criminosa, o que inclui responsáveis pelo suporte material e pela receptação do ouro extraído ilegalmente.

A população local é afetada com as ações do Ibama e da PF. Elas usam explosivos para destruir o material que encontram, e chegam ao local das ações em voos rasantes de helicópteros. No ano passado, entre 15 e 19 de setembro, a população de Humaitá (AM), próximo a Porto Velho (RO), entrou em pânico.

Os agentes da PF e Ibama destruíram 270 embarcações usadas na extração clandestina de ouro e teriam causado um prejuízo de mais de R$ 30 milhões aos garimpeiros. As ações, em todos esses dias, geraram muito transtorno à população, e protestos por parte do senador do Amazonas, Plínio Valério (PSDB).

Imagens divulgadas na ocasião pelas redes sociais mostram a correria da população, pânico e fuga, levando à suspensão de aulas e fechamento do porto. A Defensoria Pública do Amazonas providenciou atendimento na região às pessoas afetadas, e pediu uma reconsideração ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para suspensão do uso de artefatos explosivos, mas até agora não foi atendida.

Segundo o órgão, com aval da União a PF já lançou mais de 1.500 bombas em operações contra balsas ilegais. O pedido aponta que a “explosão que destrói o maquinário também dilacera a paz das comunidades. O estrondo invade as casas de madeira e rompe a rotina da população ribeirinha.” Mulheres, crianças e idosos ficam em estado de pânico e sofrem com essas ações.

Em nova investida, o senador Plínio Valerio se manifestou em vídeo publicado no mesmo dia da operação Leviatã II, denunciando que estão destruindo inclusive ponto de garimpagem familiar, de sobrevivência de moradores.

Em sua rede social X diz: “A volta do terrorismo ambiental praticado pelo Ibama, Força Nacional e órgãos da ministra Marina Silva despejando bombas e destruindo casas humildes dos ribeirinhos que praticam extrativismo mineral familiar. Pq não vão despejar bombas nos bunkers do narcotráfico q trafica o ouro do AM?”.

Valério, que esteve pela Comissão de Direitos Humanos em Humaitá, disse que estão fazendo injustiça com os amazônidas, usando a Força Nacional, atingindo os humildes. “São leões com os humildes, e gatinhos com os grandes.”