O jornal O Globo publicou nesta segunda-feira, 17, levantamento antecipado à publicação pela Serasa Experian que aponta 9,1 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, com R$ 232,9 bilhões de dívidas em atraso — ambos os números, de junho, são recorde da série histórica, iniciada em 2016.
Há um aumento em relação a maio, quando eram nove milhões de empresas inadimplentes, com um total de R$ 229,9 bilhões em dívidas. Do total de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) inadimplente, 8,7 milhões são micro e pequenas empresas, cerca de 95% do total.
O levantamento revela que cada empresa inadimplente tem 7,3 contas em atraso, que podem ser com o banco, com o fornecedor ou com uma empresa de serviços básicos. A dívida média é de R$ 25.508,96 por CNPJ.
É o caso, por exemplo, do restaurante Frango Cheff, de propriedade de Cintia Alves, instalado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ao Globo ela contou ter dívidas na conta de luz, com dois cargões de crédito e no cheque especial, Segundo relatou Cintia, ela foi recentemente impedida de fazer compras a prazo no seu principal fornecedor devido aos atrasos frequentes para pagar os pedidos, algo que também tem acontecido com os impostos.
Cintia diz que as dificuldades do negócio ocorrem, segundo ela, devido a redução do poder de compra das famílias, que têm evitado comer fora. Ela relata uma queda drástica na demanda, pior do que na pandemia de Covid-19.
“As dívidas estão virando uma bola de neve. Nem na época da pandemia eu tinha os números que tenho hoje. Vendia em torno de uma tonelada de frango por mês. Hoje em dia, devo estar vendendo a metade ou menos. Meu frango zerava, as pessoas ficavam esperando para poder comprar, tinha fila de espera. Agora, toda semana sobra,” afirmou ela ao jornal.
O levantamento da Serasa Experian mostra que as empresas de serviço são as mais inadimplentes, representando 55,7% do universo analisado, seguidas pelo comércio, 32,2%.
Recuperações judiciais
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, disse que o número de recuperações judiciais, instrumento acionado pelas empresas maiores quando não conseguem mais pagar seus credores, também vem subindo. Um caso recente é o das Casas Bahia, que vai fechar quase 300 lojas e demitir 1,9 mil funcionários.
Segundo ela, o quadro é associado ao endividamento das famílias, cuja negativação também vem renovando recordes desde janeiro de 2025 e chegou a 83,9 milhões em julho. No indicador da Serasa, o comprometimento da renda das famílias com parcelas de empréstimos, faturas de cartão e contas de serviços básicos é de 74,6%.