O terminal multinacional da Cargill no porto de Santarém (PA) foi invadido na madrugada de sábado por um grupo de indígenas. A ação se soma a outras ações de protestos que são realizadas há 31 dias por causa de falta de resposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que revogue o decreto de agosto passado que incluiu trechos de rios da Amazônia como o Tapajós no Programa Nacional de Desestatização.
A Cargill disse que foi alvo de duas ações violentas, no escritório da empresa em São Paulo e no terminal de Santarém, no oeste paraense, onde se concentra a atividade portuária local.
Entidade que reúne associações ligadas à infraestrutura, o Instituto Brasil Logística (IBL) divulgou nota neste sábado, 21, em que repudia protestos ocorridos nos últimos dias na sede da gigante do agronegócio, a Cargill, em São Paulo, e a ocupação de instalações da empresa no porto de Santarém, Pará.
Os protestos ocorrem desde janeiro, e são liderados por representantes de povos indígenas e movimentos sociais. Eles criticam planos do governo federal para aumentar o escoamento de produtos por hidrovias amazônicas.
Por causa dos protestos, o governo federal anunciou a suspensão, no dia 6, do processo de contratação de empresa para realizar a dragagem do Rio Tapajós, com vistas à implantação de uma hidrovia. 

“Vandalismo, destruição de equipamentos, ameaças diretas e a restrição da liberdade de trabalhadores configuram ações inaceitáveis que extrapolam qualquer forma legítima de reivindicação”, diz a nota do IBL, que tem, entre seus membros, a CNT (Confederação Nacional do Transporte), a ABTP (Associação Brasileira dos Terminais Portuários), a Aprosoja MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso) e outros.
No dia 9, no site oficial, o IBL já tinha veiculado nota com preocupação no impacto econômico decorrente das ações. “O Instituto Brasil Logística (IBL) manifestou preocupação com os impactos sobre a infraestrutura portuária e o fluxo logístico decorrentes da ocupação de área pública em frente ao porto público e ao Terminal da Cargill Agrícola, em Santarém (PA). Em ofício encaminhado ao Ministério de Portos e Aeroportos, o presidente do Conselho Gestor do IBL, Jesualdo Conceição, e a diretora executiva, Rebeca Albuquerque, informam que, desde 22 de janeiro, manifestantes mantêm um acampamento na via de acesso ao terminal, impedindo a entrada e saída de caminhões,” diz o texto.
“O bloqueio tem gerado impactos operacionais e econômicos para o país, comprometendo o escoamento de grãos pelo Arco Norte, aumentando custos logísticos e trazendo riscos à segurança viária e patrimonial no entorno do porto,” concluía a nota.
O Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, responsável pela coordenação dos protestos, alega que pediu uma conversa com o Palácio do Planalto, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes, para falar do decreto e seus impactos, mas não tiveram resposta. Ações judiciais contra o grupo para reintegração de posse estão em andamento, e o Conselho já recebeu notificação judicial.
O Ministério Público Federal já interpôs recurso contra a ação de reintegração de posse que deve ser cumprida em 48 horas. O recurso argumenta que a medida coercitiva ignora ritos obrigatórios de mediação e coloca em risco a integridade física das comunidades indígenas envolvidas no protesto.