Master: Diretor do BC é dispensado de acareação, ocorrida entre Vorcaro e ex-presidente do BRB

As investigações sobre as fraudes no Master e a venda do banco para o BRB, impedida pelo Banco Central, foram colocadas em sigilo pelo ministro Dias Toffoli.
Ailton de Aquino Santos, funcionário do BC, foi nomeado diretor em 2023. Foto: Pedro França/Ag. Senado.

Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central, prestou depoimento à delegada da Polícia Federal  Janaína Palazzo, no Supremo Tribunal Federal (STF), após os depoimentos de Daniel Vorcaro, dono do banco Master e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, nesta terça-feira, 30.

Segundo o jornal O Globo,  Santos foi o terceiro a depor, e após o termino das oitivas a delegada e o juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli decidiram dispensá-lo da acareação. Ela foi feita, segundo ainda o jornal, com Vorcaro e Costa, e teria durado menos de 1 hora.

As informações do jornal são de que o diretor do BC forneceu informações úteis e relevantes aos investigadores, como datas e fatos, por isso teria sido excluído da acareação.

As investigações sobre as fraudes no Master e a venda do banco para o BRB, impedida pelo Banco Central, que determinou a liquidação da instituição financeira em 18 de novembro, estão sob a responsabilidade do ministro Dias Toffoli, que decidiu, ainda, colocar sigilo no caso. Tudo porque a PF encontrou um contrato imobiliário no nome do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), sem ligação com as fraudes do Master, contrato este que segundo o deputado não se concretizou.

Toffoli vinha sofrendo criticas desde que decidiu fazer a acareação entre os três em plena comemoração de final de ano sem que os depoimentos de Costa, Vorcaro e Santos tivessem sido tomados para verificar eventuais contradições que pudessem ensejar acareação. Nem mesmo a manifestação da Procuradoria Geral da República para que a acareação fosse suspensa, considerada “prematura” por Paulo Gonet, demoveu o ministro, que mantinha a data da acareação, sem os depoimentos, contrariando normas legais.

Toffoli também foi acionado pelo presidente do Banco Central Gabriel Galíolo, que pediu explicações sobre o formato da acareação e em que condição o diretor Silva iria responder ao procedimento – se testemunha, acusado ou pessoa ofendida.  Galípolo demonstrou, mesmo comedido, preocupação e discordância com a decisão do ministro, que só tomou outro rumo no dia 29, quando foi noticiado que haveria primeiro os depoimentos, feitos pela delegada Janaína Palazzo, que atua desde o inicio da investigação que resultou na prisão de Vorcaro.

A avalanche de desconfiança e críticas ao ministro do STF partiu ainda de ex-diretores do BC, auditores da instituição, quatro entidades do sistema financeiro nacional, juristas e advogados.  Todos reagiram à acareação. Na nota conjunta das quatro entidades, entre elas a Febraban,  os signatários disseram que  incluir na acareação um técnico não investigado poderia gerar problemas e riscos para o BC.

“A presença de um regulador técnico e, sobretudo, independente do ponto de vista institucional e operacional, é um dos pilares mais importantes na construção de um sistema financeiro sólido e resiliente,” disse a nota.