O jornal “O Globo” revela nesta quarta-feira, 25, que “entre os mais de 12 mil documentos que foram extraídos do celular de Daniel Vorcaro e compartilhados com a CPI do INSS,” um texto chamou a atenção dos parlamentares: a minuta de um despacho do Tribunal Contas da União (TCU) para que “toda e qualquer decisão” a respeito do Banco Master pelo Banco Central fosse suspensa.
Duas versões de um documento em formato Word, intitulado “TCU_mora_excessiva”, foram criadas em 29 de agosto de 2025, às 9h24 e às 12h47.
“Além de determinar que o BC sobrestasse toda e qualquer decisão sobre o Master, a minuta também determinava a oitiva de técnicos do Banco Central em um prazo de dez dias,” diz texto do blog Malu Gaspar.
A minuta não tem autoria ou assinatura, e não se sabe se o banqueiro liquidado recebeu ou se enviou para alguém. À época, o relator do caso do Master no TCU já era o ministro Jhonatan de Jesus, que decidiu na última terça-feira, 24, suspender o processo que analisa a atuação do BC na liquidação extrajudicial do Master até a conclusão das demais investigações do caso, uma delas no âmbito da CGU.
“Naquele momento, porém, Jhonatan já tinha rejeitado uma representação do Ministério Público junto ao TCU para investigar possíveis omissões do Banco Central na fiscalização das operações do Master e eventuais irregularidades no negócio com o BRB,” diz o jornal.
O ministro Jhonatan de Jesus foi deputado pelo Republicanos de Roraima. Ao TCU foi indicado por influência de lideranças do Centrão como Ciro Nogueira, que admite ser amigo de Daniel Vorcaro e foi autor no Senado da emenda constitucional – não aprovada – que aumentaria o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para investidores prejudicados por instituição financeira falida ou liquidada. O senador também teria operado a favor do Master nos bastidores no ano passado para evitar sua liquidação.
O ministro indicado pelo centrão chegou a convocar o BC a prestar esclarecimentos após a liquidação do Master, ordenou que fosse feita uma inspeção na autoridade monetária e conforme relatos da imprensa à época chegou a ameaçar nos bastidores reverter a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro decretada em 18 de novembro.
Com relatos constantes da sua atuação no caso na imprensa, Jhonatan de Jesus passou a ser pressionado por colegas do próprio TCU, agentes do mercado financeiro e membros do STF, decidindo não levar adiante o plano de uma possível reversão da liquidação extrajudicial.
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