Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis se uniram contra a China. Fabricantes de carros estabelecidas no Brasil, com unidades de produção consolidadas, advertem o governo Lula para demissão caso seja concedido incentivo fiscal para empresas da China somente finalizarem veículos no Brasil. O país não ganha, já que peças e componentes usados seriam 100% produzidos naquele país.
Uma carta assinada por representantes das quatro fabricantes de veículos em 15 de julho encaminhada ao Palácio do Planalto é ignorada pelo presidente Lula e pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. O documento, enviado ainda ao ministro Geraldo Alckmin, da Industria e Comércio, merece igual silêncio, segundo divulgou o Poder360 nesta segunda-feira, 28 de julho.
A história do incentivo estava longe do agitado noticiário até O Estadão revelar, no domingo, 27, que o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), formado por integrantes de 11 ministérios do governo, realizará reunião extraordinária na quarta-feira, 30, para decidir sobre medidas que podem beneficiar a indústria de automóveis chinesa no Brasil.
O que vai para a mesa são causas da BYD, apresentadas em fevereiro, segundo o Estadão. A empresa chinesa pediu redução de imposto de importação de kits SKD (Semi Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down), de 5% para carros elétricos e 10% nos veículos híbridos. Atualmente, as taxas são, respectivamente, de 18% e 20%. Nesse sistema, fornecedores no Brasil deixam de ser contratados e a geração de emprego é pequena.
Na carta, a Stellatins, que opera no Brasil com as marcas Fiat, Jeep, Citroën e Peugeot, a Volkswagen, Toyota e General Motors dizem que “o fortalecimento da indústria nacional está sendo colocado em risco e sofrerá forte abalo se for aprovado incentivo à importação de veículos desmontados para serem acabados no país.”
“Ao contrário do que querem fazer crer, a importação de conjuntos de partes e peças não será uma etapa de transição para um novo modelo de industrialização, mas representará um padrão operacional que tenderá a se consolidar e prevalecer, reduzindo a abrangência do processo produtivo nacional e, consequentemente, o valor agregado e o nível de geração de empregos,” continua o documento.
Números consistentes
Subscrevem a carta Ciro Possobom (Wolskwagen do Brasil); Evandro Maggio (Toyota do Brasil); Emanuelle Capellano (Stellantis Automóveis do Brasil) e Santiago Chamorro (General Motors do Brasil). Eles apresentam “números consistentes” para demonstrar o acerto da política da indústria automotiva no Brasil, que vem evoluindo desde os anos 50 com uma visão desenvolvimentista, com a estratégia de produção local de veículos e componentes.
O Brasil tem hoje 26 pontos de fabricação de veículos e 508 produtores de autopeças, responsáveis por uma cadeia produtiva que resulta em 2,5% do PIB brasileiro e geração de mais de 1 milhão de empregos. A Stellantis, por exemplo, tem fábricas em Betim (MG), Goiana (PE) e Porto Real (RJ), e conta com centro de tecnologia e design em Betim.
As montadoras, com plano de investir R$ 180 bilhões nos próximos anos, sendo R$ 50 bilhões no parque de autopeças, investimentos de conhecimento do Ministério da Indústria, alertam que a falta de igualdade de condições na competição pelo mercado vai gerar desemprego nas fábricas brasileiras e indiretamente nos fornecedores.
Ao presidente Lula pedem que seja “assegurada igualdade de condições na competição pelo mercado, vetando privilégios para a importação de veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios.”
A conferir se na quarta-feira algo será decidido. O que é impróprio e impertinente é o governo fechar-se em copas, deixar manifestação de quatro importantes fabricas sem a atenção devida, justamente quando negociações com o governo Trump estão sem desfecho e em suspense.