Um ato do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicado nesta terça-feira, 22, proíbe a realização de quaisquer reuniões de comissões da Casa desta terça-feira até o dia 1º de agosto, ou seja, enquanto durar o recesso legislativo.
A Comissão de Segurança Pública, presidida pelo deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), se preparava para iniciar uma reunião que votaria uma moção de solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, quando a medida foi publicizada.
A oposição, durante reunião na segunda-feira, 21, havia decidido promover reuniões a cada evento de comissão para prestar solidariedade e promover atos em defesa ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que desde sexta-feira, 18, usa tornozeleira eletrônica e cumpre medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, como não usar redes sociais. 

“O Presidente da Câmara dos Deputados, no uso de suas atribuições regimentais, resolve: Fica vedada, no período de 22 de julho a 1º de agosto de 2025, a realização de reuniões de comissões da Câmara dos Deputados”, diz o documento assinado por Hugo Motta.
A sala da comissão de Segurança Pública já estava repleta de deputados da oposição e apoiadores de Jair Bolsonaro quando a decisão de Motta foi conhecida.
Além da comissão de Segurança Pública, outra comissão, de Relações Exteriores, também comandada pelo PL, partido do ex-presidente, tinha reunião marcada para mostrar apoio ao ex-presidente.
Sem reunião, deputados do PL fizeram um pronunciamento à imprensa, atacando o Judiciário brasileiro pelas investigações contra Jair Bolsonaro. Na segunda, 21, a senadora Damares Alves (DF) anunciou que a pauta da oposição no Senado na volta do recesso é votar o impeachment de Moraes.
As medidas cautelares contra Bolsonaro foram determinadas no inquérito no qual o filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), é investigado por sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visando promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo e tentar barrar o andamento da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.
Moraes alertou que Bolsonaro pode ser preso ao descumprir as cautelares.