MPF abre processo para investigar impacto no corte de verbas das agências reguladoras

MPF foi acionado por duas entidades que sustentam ocorrer falta de critério técnico para distinguir despesas passíveis de bloqueio das que são essenciais para as ações das agências. A população corre riscos com paralisação de ações.
Lula diz defender minerais críticos do pais, mas todo ano corta recursod a ANM. Foto: Fábio Pozzebom/ABr.

O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento administrativo para apurar o impacto causado às atividades das agencias reguladores que sofreram corte de verbas imposto pelo governo Lula. A informação foi divulgada no sábado, 10.

A decisão acata representação apresentada pela União Nacional dos Servidores de Carreira das Agências Reguladoras Federais e pela Associação Brasileira dos Usuários dos Portos, de Transportes e da Logística, que questionam a legalidade do Decreto nº 12.990/2026, que estabeleceu bloqueio linear de aproximadamente 18% nos limites de empenho e movimentação financeira, causando prejuízos ao funcionamento das agências.

De acordo com relatos das entidades feitos ao MPF, além de impactar a dinâmica de trabalho dos órgãos, vital para coibir corrupção e abusos de toda natureza em setores estratégicos da economia, a falta de recursos,inclusive de receitas próprias, obrigaram à revisão do planejamento de ações como fiscalização de transportes de passageiros e de carga, cronograma de leilões de concessões, fiscalização de plantas de mineração e monitoramento da qualidade dos combustíveis entre outras diversas ações. A população, alertam, corre riscos com a paralisação de ações.

Em nota publicada em seu portal no dia 4 de junho, a Agência Nacional de Mineração (ANM), por exemplo, disse  que o corte orçamentário de mais de R$ 20 milhões “aprofunda um processo contínuo de restrição de recursos que, ao longo dos anos, reduz a capacidade operacional da instituição responsável pela regulação e fiscalização da atividade mineral brasileira.”

A ANM disse mais: o planejamento de trabalho está profundamente afetado em 2026, e que “ao todo, 43 barragens e 18 pilhas de mineração que estavam programadas para receber vistoria técnica da Agência até o final deste ano não poderão ser fiscalizadas dentro do cronograma originalmente estabelecido.”

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) disse que o contingenciamento imposto pelo governo Lula de R$ 24 milhões reduziu em cerca de 40% as ações de fiscalização sobre empresas reguladas, como companhias aéreas, aeroclubes e oficinas de manutenção aeronáutica.

As entidades que acionaram o MPF pediram a instauraçaõ de inquerito civil, e expedição de recomendação ao Poder Executivo para preservar recursos destinados às atividades de custeio e fiscalização das agências.

No documento que baseia a representação, as associações afirmam que o corte foi realizado sem critérios técnicos que diferenciem despesas passíveis de bloqueio das atividades consideradas essenciais para o cumprimento das competências legais das autarquias.

As entidades sustentam que o governo não demonstrou que a redução de recursos não comprometeria a execução das atribuições regulatórias, como exigiriam a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e determinações do Tribunal de Contas da União (TCU).

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