Uma operação coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com o apoio das forças de segurança pública desmantelou sete pontos de atividade ilegal de garimpo na divisa dos estados do Amapá e Pará, em área denominada Arvores Gigantes, causando prejuízos estimados de mais de R$ 6 milhões aos infratores. As ações ocorreram entre 12 a 17 de maio.
Segundo o Ibama, essa é a quinta operação na região somente este ano. A atividade consolida a estratégia de contínuo sufocamento logístico das atividades ilegais de exploração de minério.
No total, foram inutilizadas 27 escavadeiras hidráulicas, 3 caminhões prancha (usados para o transporte de maquinário pesado), 2 aviões e milhares de litros de combustível. Foram apreendidas 441 unidades de explosivos em um dos pontos de suporte ao garimpo.

Os agentes de segurança, segundo ainda o órgão ambiental, constataram uma mudança no padrão de exploração ilegal na região com a descoberta de um garimpo de filão.
É uma modalidade que exige maior aporte tecnológico e financeiro dos infratores, pois envolve a abertura de galerias subterrâneas, uso de explosivos e maquinário industrial para triturar a rocha de onde o ouro é extraído. O impacto ambiental desse método é severo, causando a destruição permanente do relevo local e alto risco de contaminação do solo.
Batizada de Operação Calha Norte, a ofensiva teve como foco os municípios de Laranjal do Jari (AP) e Almerim (PA), e foi realizada em conjunto com a Polícia Federal, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Força Nacional.
Contou com o apoio logístico e tático da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, da Polícia Militar do Pará e do Grupamento Aéreo do Pará (Graesp). A coordenação institucional ficou a cargo do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI – Amazônia).
Balanço
Foram mobilizados nas áreas de densa floresta e de difícil acesso cerca de 80 agentes e uma frota de cinco aeronaves, essenciais para o deslocamento rápido das equipes de fiscalização. A operação Calha Norte inutilizou sete escavadeiras hidráulicas; dois tratores e três quadriciclos; dezenas de motores e geradores empregados na atividade ilegal; 3.300 litros de combustível diesel descartados; e acampamentos clandestinos, totalmente desestruturados.
Santuário das Árvores Gigantes
A estratégia de repetição constante de operações na região segue também a preocupação do Ibama com o santuário que abriga as chamadas arvores gigantes, de enorme valor ecológico. O avanço do garimpo ilegal na divisa do Amapá com Pará ameaça diretamente os santuários de angelins-vermelhos (Dinizia excelsa), que alcançam até 88 metros de altura – o equivalente a um prédio de 30 andares.
A atividade predatória destrói o subsolo, contamina os cursos d’água com mercúrio e compromete a integridade de unidades de conservação, colocando em risco uma singularidade ecológica essencial para a biodiversidade global.
O avanço dessa ameaça foi constatado no fim do ano passado, durante a Operação Xapiri Karuanã, quando o Ibama havia desmantelado uma complexa infraestrutura aérea de apoio ao garimpo instalada a apenas um quilômetro da segunda maior árvore da Amazônia.
Naquele momento foram aplicados R$ 4,8 milhões em multas e destruídos acampamentos, hangares, pistas clandestinas e oficinas de manutenção de aeronaves em Laranjal do Jari (AP) e Almeirim (PA).
Na Floresta Estadual do Paru (Pará) está localizada a maior arvore da América Latina, um angelim-vermelho de 400 anos de idade, 88,5 metros de altura e quase 10 metros de circunferência. É a quarta maior arvore do mundo – a primeira está nos Estados Unidos. Há também um projeto do Imazon e pesquisadores do Amapá para protegerem o santuário das Arvores Gigantes.
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