A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou que quatro parlamentares apresentaram representação para que a instituição apresente ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator do inquérito que investiga fraudes e outros crimes cometidos pelos executivos do banco Master, liquidado pelo Banco Central no dia 18 de setembro.
A confirmação foi feita ao jornal O Estadão, que divulgou a noticia de que o senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou representação no dia 14 de dezembro solicitando a investigação de “possíveis conflitos de interesse e impedimentos” do ministro Dias Toffoli.
No mesmo dia, o Estadão havia revelado que os irmãos do magistrado, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, cederam por R$ 20 milhões a fatia do resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos, que abriga, segundo investigações preliminares, fundos ligados ao Master. Em outra reportagem a seguir, o jornal revelou também que quem comprou a parte do resort dos irmãos Toffoli foi o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, que cumpre restrição de liberdade com uso de tornozeleira eletrônica.
O senador Girão nota, na representação, que familiares próximos ao ministro e pessoas do seu circulo mantem relações comerciais com possíveis envolvidos nas ilegalidades do banco Master, o que configura uma suspeita de ausência de parcialidade e conflito de interesses.
O fato do relator Toffoli ter determinado que todo o material apreendido na operação Compliance Zero no dia 14 seja encaminhado para o Supremo Tribunal Federal (STF) lacrado e acautelado é outro ponto destacado pelo senador Girão em sua representação. Diante da avalanche de críticas por causa dessa decisão, o ministro recuou já a noite e determinou que o material fosse entregue à PGR
Voo particular
A suspeição de Dias Toffoli para continuar como relator do caso Master já havia sido questionada nas representações patrocinadas pelos deputados federais Carolina de Toni (PL-SC), Carlos Jordy (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP), no dia 12 de dezembro. Eles solicitaram a arguição de impedimento e suspeição de Toffoli no caso Master após o ministro ter viajado em um voo particular com o empresário Luiz Oswaldo Pastore e com o advogado do Master, Augusto de Arruda Botelho, para assistir à final da Libertadores em Lima, capital do Peru.
Os pedidos estão em apuração e tramitam sob sigilo na PGR, segundo o jornal.