Começou no dia 12 a cobrança de pedágio eletrônico na BR-364, treco de cerca de 700 quilômetros que foram privatizados por meio de leilão realizado em fevereiro de 2025 na B3, em São Paulo. Em oferta única, levou o consórcio formado pelo Fundo de investimentos 4UM e banco Opportunity, originando a Concessionária de Rodovia Nova BR 364 S.A.
Em julho do mesmo ano foi assinado o contrato de concessão com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), sem que duas reclamações essenciais de parte da bancada federal de Rondônia tivessem sido atendidas: aumentar o trecho de duplicação, e não haver cobrança de pedágio antes do início das obras previstas no Programa de Exploração da Rodovia (PER).
A cobrança já começou, e segundo entidades do setor produtivo, como a Aprosoja, do setor de transportes e caminhoneiros em geral, tudo ficará mais caro. Se maior trecho de duplicação não foi incluído e se os preços de pedágio não foram negociados de modo a causar menos prejuízo não apenas aos caminhoneiros, transportadores de cargas, mas a toda a cadeia de consumo em Rondônia, a bancada federal tem muito a ver com isso.
Parte dela começou a agir muito tarde. Fez barulho, veio ao Estado e mais nada. Não se uniu de verdade para dar mais transparência e obter ganhos para Rondônia se não até a privatização ao menos até o momento de assinatura do contrato. Uma audiência pública foi realizada em março no Senado, após o leilão, mas até onde se sabe nada do que foi debatido foi considerado no PER.
São sete os pontos de pedágio pelo sistema Free Flow, nos quais pórticos foram instalados na rodovia e a cobrança é feita mediante leitura eletrônica da placa do veículo, com posterior envio da cobrança.
O valor dos pedágios assim está definido: Candeias do Jamari, R$ 5,40; Cujubim, R$ 37,00; Ariquemes, R$ 19,30; Ouro Preto do Oeste, R$ 25,00; Presidente Médici, R$ 12,50; Pimenta Bueno, R$ 10,20; e segundo trecho de Pimenta Bueno, R$ 35,40. A cobrança é realizada de acordo com o número de eixos do veículo.
Entrevistado pelo jornal Folha do Sul Online, site de notícias de Vilhena, um caminhoneiro declarou que percorrer o trecho ida e volta entre Vilhena e Porto Velho uma única vez vai custar mais de R$ 2.600,00 só de pedágio numa carreta com nove eixos na BR-364.
A concessionária alega ter feito já alguns investimentos, R$ 380 milhões, antes mesmo de assinar o contrato, mas a verdade é que a maior exigência dos que transitam na 364 continua sendo negada, e só vai começar no quarto ano de execução do contrato: a duplicação. E de apenas 107 quilômetros. Nem um quilômetro foi aumentado. Ou seja: a insegurança no trânsito continua, mas a concessionária bamburra de dinheiro antecipadamente.
Faço minhas as palavras da representante da Associação dos Produtores de Soja em Rondônia (Aprosoja), Antonielly Rottoli:“É um contrato que reflete mais medo do fracasso do que a ambição de mudar a logística do Estado de Rondônia. Rondônia exporta mais de 3 bilhões de reais por ano em soja, peixe e carne, estamos entre os 10 maiores produtores de leite, somos líderes de pecuária de corte tanto em quantidade quanto qualidade, e quando nossos grãos saem aos portos enfrentam uma BR que mata, que trava e encarece.”
A concessão da BR 364 é a primeira experiência na região Norte do Brasil. É uma possibilidade para uma rodovia mais segura. O problema é a forma como tudo é feito. Do mesmo modo como foi pioneira a instalação de hidrelétrica a fio d’água utilizando turbina bulbo no rio Madeira. Não há a transparência devida e as demandas de quem aqui vive ou trabalha não são levadas em conta.
O povo de Rondônia ajuda o Brasil, mas paga caríssimo pela energia que consome. E agora pagará ainda mais caro pelos bens e alimentos que são trazidos de maiores centros produtores.
É ano eleitoral. Breve vamos às urnas novamente. É hora de mandar a bancada federal para casa. São três senadores que não merecem reeleição ou mandato em novo cargo: Confúcio Moura (MDB); Jaime Bagatolli (PL) e Marcos Rogério (PL). Os deputados, oito, são: Silvia Cristina (PP), Maurício Carvalho (União); Thiago Flores (Republicanos); Coronel Chrisostomo (PL); Cristiane Lopes (União); Fernando Máximo (União); Rafael Fera (Podemos) e Lúcio Mosquini (MDB). Na conta, se inclui também o apagado governo Marcos Rocha.
Simples assim.