PF cumpre buscas contra Jaques Wagner, líder do Governo no Senado

Os investigadores suspeitam que o senador recebeu imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina no valor de R$ 3,5 milhões.  
Jaques Wagner teria atuado para favorecer o Master no parlamento. Foto: Carlos Moura.

Em nova fase da Operação Compliance Zero (nona), a Polícia Federal cumpre, na manhã desta quinta-feira, 18, mandado  de busca e apreensão que atinge o senador petista da Bahia Jaques Wagner, líder do Governo no Senado Federal.  Ele é o principal alvo dessa etapa, que envolve outros investigados, entre eles o ex-sócio de Daniel Vorcaro  no banco Master, Augusto Lima.

Além de endereços ligados a Wagner, à exceção de seu gabinete parlamentar, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em empresas e imóveis de Augusto Lima na Bahia, em São Paulo e Distrito Federal. Estão em apuração, em tese, crimes de ordem financeira, de corrupção ativa e passiva, de lavagem de dinheiro e de organização criminosa e outros delitos conexos atribuídos a gestores e operadores ligados ao Master.

No documento em que o relator do Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, autoriza a operação,  a PF relata vantagens econômicas que o líder do governo no Senado teria sido favorecido por meio de empresa ligada a sua nora. Os investigadores suspeitam que o senador recebeu imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina no valor de R$ 3,5 milhões.

O apartamento seria o empreendimento Poème Horto, em Salvador.  É relatado ainda o recebimento de mimos, agrados laterais que Vorcaro já demonstrou fazer com meio mundo de Brasilia. Jaques Wagner utilizou diversas vezes de aeronaves do banqueiro preso, recebeu ingressos para show no exterior no valor de R$ 65 mil e pagamentos vinculados a seu núcleo familiar, a BN Financeira Ltda.

O show teria sido de uma cantora em Los Angeles, incluindo ingresso para familiares do paralmentar , e quando Wagner perguntou sobre os ingressos pediu para ampliar para cinco. “Pronto amigo. Seguem os outros dois,” respondeu Augusto Lima.

Um exemplo de uso de aeronaves de Vorcaro é citado à página 6 da decisão de Mendonça. Wagner e familiares contaram com aeronave particular cedida pelo banqueiro preso para a Ilha da Paixão, após o senador ter combinado em mensagens trocadas  com Augusto Lima em 11 e 13  de outubro  de 2023 esse deslocamento.

Mendonça anota “relação de proximidade” de Lima com o senador, que vem de época em que Wagner foi governador (2007-2014) e, assim como Rui Costa, atual ministro da Casa Civil,  teria favorecido os negócios de Lima na Bahia. O empresário e ex-banqueiro foi o responsável por implementar no governo da Bahia um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.

Lima é o elo de Wagner com Vorcaro, intermediando as vantagens econômicas supostamente auferidas.  No documento, se descreve a relação entre os dois como “antiga, próxima e
marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master.”

A representação policial descreve mensagens, áudios, chamadas de voz, encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e interações familiares que demonstrariam proximidade entre os núcleos envolvidos.

Os investigadores dizem haver de indícios de atuação parlamentar de Jaques Wagner  em temas de interesse do Banco Master, especialmente: matéria de crédito consignado; em relação ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e em iniciativa parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de aquisição do Banco Master pelo BRB.

Mendonça atende pedido da Polícia Federal por medida constritiva de natureza pessoal diversa da prisão e supensão das atividades economicas de pessoas juridicas e físicas identificadas e que se envolveram na estrutura  “que teria sido utilizada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas na Compliance Zero.”

Entre essas medidas estão a proibição de contato entre os investigados, a suspensão de passaportes e o uso de monitoração eletrônica. Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão autorizados por Andre Mendonça, envolvendo diversas pessoas que de algum modo contribuiram para efetivar a compra de imóvel e possibilitar transação financeira com empresa de familiar do senador.

Decisão de Mendonça contra Jaques Wagner