O pagamento de influencers mediante um ataque coordenado nas redes sociais contra o Banco Central, que promoveu a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro, será investigado pela Polícia Federal. O anúncio da abertura de inquérito foi confirmada nesta quarta-feira, 28.
Em 6 de janeiro, a colunista Malu Gaspar, de O Globo, revelou que influenciadores receberam proposta para postar vídeo contra a liquidação feita pelo BC. A orientação dada era para que fosse colocado em suspeita o trabalho da autoridade monetária que resultou na liquidação do banco.
Um dos influencers contatados foi um vereador de Erichim, do PL do Rio Grande do Sul, Rony Gabriel. Ele veio a público e apresentou à colunista contrato para a publicação das postagens, mas ele se recusou a participar. Outros influenciadores de direita disseram ter sido abordados por pessoas que representavam Daniel Vorcaro. O banqueiro nega ter financiado as postagens.
Segundo o relato, a ideia seria criticar a liquidação do Master e colocar em xeque a credibilidade do BC.
O banco Master já é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, por suspeitas de fraude financeira em operações envolvendo a compra da instituição pelo BRB, banco do Distrito Federal.
O negócio foi barrado pelo BC, sob a suspeita de que o banco público estaria adquirindo carteiras de crédito podres, ou seja, sem nenhum lastro em ativos reais.
Até o momento não há um número oficial para o rombo, com estimativas que vão de R$ 2,4 bilhões a R$ 4 bilhões. Vorcaro e outros investigados já começaram a ser ouvidos pela PF.
Com as denúncias sobre uma suposta campanha negativa contra o BC nas redes sociais, a PF produziu um relatório preliminar e o entregou a Toffoli. A própria Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) fez um levantamento e identificou em dezembro uma enxurrada de ataques ao Banco Central.
O ministro examinou postagens e outras informações antes de autorizar a abertura de um novo inquérito específico sobre a suposta campanha difamatória.
Os investigadores devem agora apurar se houve ação paga e orquestrada, o que pode configurar crime contra as instituições.
Influencer de Sao Paulo que chegou a publicar um ataque contra o banco recebeu mais de R$ 7 mil por única postagem. Ele disse que não aceitou proposta de contrato para três meses, segundo o G1.