No depoimento dado à Polícia Federal no dia 30 de dezembro, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado banco Master, declarou que o modelo de negócios da instituição financeira era baseado 100% no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Relatos de seu depoimento foram feitos por vários setores da imprensa na sexta-feira, 23 e neste sábado, 24.
O FGC é um fundo mantido com a contribuição das instituições financeiras do Brasil, criado há 30 anos, com a finalidade de ressarcir investidores até determinado valor ( R$ 250 mil), para que não sejam prejudicados com eventual falência, liquidação ou intervenção em um banco, como ocorreu com o Master. Ele foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro.
O depoimento na íntegra de Vorcaro foi vazado para a imprensa. Segundo ele disse a PF “o plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo. E após a gente começar e começar a crescer, muda-se a regra do jogo.”
Vorcaro admitiu que existia crise de liquidez no banco, e que apesar de depender do FGC a instituição teria horado com seus compromissos financeiros. O Master, argumentou, “sempre foi solvente” e teve “mais ativo do que passivo.”
Á delegada Janaína Palazzo o banqueiro, que saiu da prisão e cumpre medida restritiva de liberdade com tornozeleira eletrônica, disse que os problemas para honrar compromissos começaram com mudança das regras do FGC que teria ocorrido segundo disse por “pressão dos grandes bancos”.
Acusado de ter cometido fraude bilionária Vorcaro afirma ao buscar solução para formas de captar recursos e recuperar liquidez iniciou-se “uma campanha contrária, reputacional contra o banco”.
Vorcaro disse que conversou com o governador Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, em visita do governador a sua casa para tratar da venda do banco ao Banco de Brasília, o BRB. À PF não citou outros políticos com os quais tenha se encontrado para tratar do Master.