Depois do procurador-geral da República Paulo Gonet arquivar o pedido de investigação do advogado Enio Martins Murad sobre conduta do ministro do STF Alexandre de Moraes que teria feito pressão ao presidente do Banco Central Gabriel Galípolo para favorecer o Banco Master, políticos da oposição fazem nova ofensiva para investigar e afastar o magistrado do cargo.
O deputado federal Sanderson (PL-RS) usou a rede social para anunciar que protocolou no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um ofício pedindo a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e o “imediato afastado do pseudo juiz,” diz em vídeo postado no X.
”Até quando o presidente do STF vai esconder esse escândalo Barci de Moraes? O presidente o CNJ, que é o mesmo do STF, vai seguir fazendo ouvidos moucos para este escândalo? Assistimos nos últimos anos toda sorte de abusos praticados por este pseudo juiz, cidadãos presos sem nenhuma razão, contas bloqueadas, jornalista calados, famílias inteiras afetadas, carreiras destruídas. Agora está vindo a tona que banqueiros e autoridades também teriam relatado pressão junto a PF. Ele fazia pressão em todo mundo. Nos precisamos por um fim nisso de uma vez por todas,” declara o parlamentar.
O deputado Sanderson, no âmbito do CNJ, pediu apuração ao corregedor-geral de Justiça Mauro Campbell Marques, incluindo na instauração de procedimento de apuração “a requisição de informações, documentos, registros de comunicações, agendas, mensagens e atas eventualmente relacionadas aos fatos narrados, bem como a oitiva de pessoas que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos”.
O procurador-geral da República Paulo Gonet admite a existência do contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, e o banco Master, liquidado em 18 de novembro pelo Banco Central. Militantes e autoridades da esquerda têm propagado, desde a revelação do documento no dia 11 de dezembro, que o contrato é fake news.
Depois da revelação do contrato, inclusive com prints, a colunista Malu Gaspar revelou também que Moraes se mobilizou em julho junto ao Banco Central para interceder pelo Master, a quem já eram atribuídas várias operações temerárias e ilegais. Ela explicou o procedimento de apuração que envolveu seis fontes.
Outros veículos de imprensa entraram na apuração. O Estadão revelou que em apenas um dia o ministro Moraes teria ligado seis vezes para Gabriel Galípolo para interceder por Daniel Vorcaro, dono do Master, preso pela Polícia Federal, por quem tinha afeição, gostava dele, conforme os interlocutores de Gaspar.
Gonet diz que o contrato não é ilícito – algo que a imprensa nunca disse – e não vê conflito de interesse por parte das ações de Moraes, dizendo não haver “lastro probatório que sustente a acusação formulada,” recusando-se a iniciar a investigação, o que é seu papel.
O procurador diz que a imprensa não apresentou elemento concreto ou indício material para corroborar a tese da pressão feita ao BC pelo ministro do STF, alegando ainda que em face de ser o sigilo das fontes uma garantia constitucional, não há nada que se possa fazer.
Na PGR, um novo pedido foi protocolado pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo). Ele sustenta que a atuação de Moraes seja investigada. Outra revelação, feita pelo colunista Lauro Jardim, é a de que Daniel Vorcaro recebeu Moraes e políticos do centrão em sua mansão em Brasília para jantar.
O vereador e outros políticos identificam, por tudo revelado até agora, que o ministro, valendo-se de sua posição relevante e de prestígio teria patrocinado interesse privado perante a administração pública, configurando, em tese, advocacia administrativa.
Kilter considera, no seu pedido, que as seis ligações de Moraes para Galípolo num só dia conforme revelado pelo Estadão detalham a “intensidade da pressão exercida pelo ministro sobre a autoridade monetária”.
O vereador observa ainda haver conflito de interesse evidente entre o ministro do STF e o banco Master devido ao contrato do escritório de advocacia da esposa de Moraes com o banco, que segundo divulgado foi assinado em janeiro de 2024, portanto já em vigor quando o ministro teria feito incursões em prol do Master junto ao BC.