Teatro Amazonas (AM) e Theatro da Paz (PA) são agora patrimônio mundial da Unesco

Com a inclusão desses patrimônios, construídos na epoca dourada de exploraçaõ da borracha, o Brasil passa a contar com 26 bens históricos na lista oficial da Unesco. 
Teatro Amazonas, inaugurado em 1878 e construído no tempo de ouro da borracha. Foto: Marcio James/SEC-AM.

O Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu nesta segunda-feira, 27, o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, capital do Pará, como patrimônio mundial da cultura. A reunião do comitê ocorreu em Busan, na Coreia do Sul.

Com a inclusão desses patrimônios, construídos na epoca dourada de exploraçaõ da borracha, o Brasil passa a contar com 26 bens históricos na lista oficial da Unesco.

Esses dois espaços passam a integrar o acervo de patrimônios culturais da humanidade com o nome de “Teatros da Amazônia.”

Theatro da Paz, em Belém, inaugurado em 1896. Foto; Reprodução/Rede social.

A proposta de reconhecimento dos Teatros da Amazônia foi apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com apoio das secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará.

Segundo o Iphan, os dois teatros representam um mesmo projeto de modernização urbana impulsionado pelo ciclo da borracha e pela aproximação da Amazônia com circuitos comerciais e culturais internacionais.

Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, aberto em 1878, em Belém, as duas casas de ópera passaram a receber companhias europeias e se tornaram símbolos da transformação urbana da região.

Além dos espetáculos de ópera, conquistaram espaço as manifestações de culturas populares brasileiras e atividades que hoje atravessam diversas expressões artísticas, do carimbó ao jazz, do boi-bumbá ao cinema, impulsionando a formação de artistas e técnicos e a atividade turística. São marcos cívicos e culturais das duas cidades, juntamente com as praças em seu entorno – a Praça da República, em Belém, e o Largo de São Sebastião, em Manaus.

O Teatro Amazonas tem uma programação cultural relevante e constante durante todo o ano.

Com essa inclusão, a região Norte passa a ter seu primeiro patrimônio cultural reconhecido pela Unesco.

Ao G1, a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas, Beatriz Calheiro, destacou que a conquista também amplia o debate sobre a formação histórica da Amazônia durante o ciclo da borracha. Segundo ela, o reconhecimento não envolve apenas a preservação dos prédios históricos, mas também a valorização de trabalhadores da floresta, seringueiros e povos indígenas que participaram desse período.

Na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco no Brasil, o Iphan diferencia 16 por bens culturais, nove naturais e um é sítio misto. São eles:

Bens culturais

* 1980: Cidade Histórica de Ouro Preto
* 1982: Centro Histórico de Olinda
* 1983: Ruínas de São Miguel das Missões
* 1985: Centro Histórico de Salvador
* 1985: Santuário do Bom Jesus do Congonhas
* 1987: Brasília
* 1991: Parque Nacional Serra da Capivara
* 1997: Centro Histórico de São Luís
* 1999: Centro Histórico de Diamantina
* 2001: Centro Histórico da Cidade de Goiás
* 2010: Praça de São Francisco na Cidade de São Cristóvão
* 2012: Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar
* 2016: Conjunto Moderno da Pampulha
* 2017: Sítio Arqueológico do Cais de Valongo
* 2021: Sítio Roberto Burle Marx
* 2026: Teatros da Amazônia

Bens naturais

* 1986: Parque Nacional do Iguaçu
* 1999: Reservas da Mata Atlântica do Sudeste
* 1999: Reservas da Mata Atlântica da Costa da Descoberta
* 2000: Área de Conservação do Pantanal
* 2000: Complexo de Conservação da Amazônia Central
* 2001: Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas Fernando de Noronha e Atol das Rocas
* 2001: Unidades de Conservação do Cerrado: Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas
* 2024: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
* 2025: Cânion do Rio Peruaçu

Bens mistos

* 2019: Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade

Com informações do Iphan.