O jornalista Robson Bonin, da revista Veja, publicou na quinta-feira, 11, que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu para uma conta secreta no exterior US$ 30 milhões para o presidente do Senado Federal Davi Alcolumbre (União-AP). Em moeda brasileira, o valor é de aproximadamente R$ 155 milhões, e segundo a revista o repasse seria uma contrapartida ao “apoio dado pelo senador a uma demanda de interesse do Banco Master, em transação operada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.”
A informação publicada por Bonin integraria, segundo ele, uma das confissões que Vorcaro estaria disposto a fazer sobre o submundo da política que ele reagiamente teria alimentado com pagamento de favores, como o revelado ao também senador Ciro Nogueira (PP-PI), por ajudar na possível aprovação de uma emenda para ampliar o valor de proteção a investidores no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
No entanto, a Polícia Federal nada confirma, e anunciou rejeição à segunda proposta de delação que não se sabe ao certo o que conteria.
O senador Davi Alcolumbre nega o recebimento do dinheiro, e diz que irá à Justiça.
“O ex-banqueiro se dispôs também a falar sobre seus negócios nebulosos com o PT da Bahia, citando especialmente Rui Costa, chefe da Casa Civil de Lula até recentemente, que se mostraram fundamentais para a ascensão meteórica do Master,” diz texto da reportagem de Veja.
Essa história já foi publicada há meses, tão logo o caso Master veio à tona. Ela é antiga, começa em 2007, quando havia na Bahia, governo Jaques Wagner (PT), hoje senador, uma rede estadual de supermercado público – Cesta do Povo – , na qual servidores poderiam realizar compras com desconto direto na folha de pagamento.
“Com a entrada de Vorcaro na operação, o CredCesta virou uma das principais operações de crédito consignado na Bahia, especialmente na modalidade de Reserva de Cartão Consignado. Em 2022, já na gestão de Rui Costa, sucessor de Wagner, um decreto estadual restringiu a portabilidade dessas dívidas para outros bancos, medida que ampliou a presença da instituição financeira no setor,” diz a revista.
O Master chegou a ser o que era com a decisiva operação feita na Bahia por meio do então socio de Vorcaro, Augusto Lima, responsável, segundo a Veja, pela operação do dinheiro no exterior para Alcolumbre.
O jornalista Bonin menciona ainda o fundo de pensão dos funcionários públicos do Amapá, que comprou R$ 400 milhões em títulos podres do banco. Esse fundo era dirigido por um aliado de Alcolumbre, ex-tesoureiro de sua campanha. Situações semelhantes atingiram regimes previdenciários administrados pelo ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), e pelo ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB).