Camisotti confessa fraudes no INSS e assina delação premiada, diz jornal

Os depoimentos constantes da delação do empresário já foram colhidos pela Polícia Federal, que já enviou o acordo ao ministro do STF André Mendonça, relator do caso na Corte. 
Revelações de Camisotti aos investigadores é mantida sob sigilo. Foto: Reprodução.

O empresário Maurício Camisotti confessou a prática de fraudes nos descontos das aposentadorias e pensionistas do INSS e assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, segundo publicou O Estadão nesta quinta-feira, 9.

Camisotti, acusado pela CPMI do INSS de ter montado com a família um “império do crime,” está preso desde setembro do ano passado sob suspeita de ser um dos líderes do esquema de desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o jornal, é a primeira delação assinada na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de desvios nas aposentadorias com prejuízos bilionários aos beneficiários do INSS, e que neste mês completa um ano. Os depoimentos constantes da delação do empresário já foram colhidos pela Polícia Federal, que já enviou o acordo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte.  O ministro analisa o documento para dar validade jurídica à delação.

Deputados e senadores da CPMI do INSS afirmaram que a família Camisotti movimentou, no esquema de descontos ilegais, valores muito superiores aos atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” – apontado como o maior operador financeiro do caso.

“Essa família é três, quatro vezes, cinco vezes, melhor falando, mais forte do que o Careca do INSS. Botaram o nome do Careca do INSS e a gente ficou repetindo que ele era o maior operador financeiro. Mas lembrem desse nome: Camisotti. Nessa operação aqui, foi cinco vezes maior”, declarou em fevereiro o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar.

Três entidades comandadas pelos Camisotti teriam movimentado R$ 800 milhões, segundo o deputado. Uma delas, a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), é a terceira entidade das envolvidas nas fraudes identificadas pela Operação Sem Desconto que mais promoveu descontos em 2024, estimados em R$ 231 milhões.

Na delação, o empresário explicou a sistemática das fraudes envolvendo a inclusão de nomes de aposentados e os descontos indevidos de aposentadorias.

O empresário teria relatado suspeitas de crimes envolvendo a atuação de dirigentes do INSS e de políticos, mas o teor de suas declarações é mantido sob sigilo.

O Estadão diz que outros alvos da Operação Sem Desconto estão em processo de negociação da delação premiada.