Por determinação do relator do caso Master, ministro André Mendonça, foram cumpridos nesta terça-feira, 19, pela Polícia Federal, dois mandados de busca e apreensão e medidas cautelares, entre elas a suspensão do exercício da função pública do perito criminal federal supostamente envolvido no vazamento para a imprensa do contrato milionário de R$ 129 milhões da esposa do ministro Alexandre de Moraes, advogada Viviane Barci de Moraes e o banco Master.
Segundo o jornal O Estadão, o perito é João Claudio Nabas, que já foi suspenso de suas atividades funcionais. A suspeita da PF é a de que o perito vazou informações apreendidas no telefone celular de Dnaiel Vorcaro, como o contrato ainda não esclarecido sobre que tipo de serviços Viviane teria prestado ao banco, e diálogos entre o ministro e o banqueiro.
São todas informações obtidas na análise do material apreendido, segundo a PF, no começo da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes comandadas por Vorcaro no Master.
“Ressalta-se que as diligências investigativas autorizadas possuem natureza específica e instrumental, voltada à preservação da investigação, à prevenção de eventual reiteração delitiva e à colheita de elementos probatórios ainda pendentes,” diz nota publicada pelo STF a respeito da ação policial desta terça-feira, 19.
A nota diz também que as medidas “não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte.”
Documentos confirmados pela Receita Federal apontam que o escritório da mulher de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Master em 2024 e 2025. O contrato, revelado pela coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, foi firmado no começo de 2024 e só não foi honrado o valor na integridade porque em novembro do ano passado o Master foi liquidado pelo Banco Central.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) divulgou nota sobre o caso. A entidade diz que acompanha com atenção os desdobramentos da 7ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta segunda-feira (19/5), e está adotando as medidas cabíveis para acompanhar o caso e contrapor qualquer cometimento de injustiça.
“A APCF atuará para assegurar a observância do devido processo legal, da preservação da cadeia de custódia e da atuação técnico-científica no caso. Nos termos de seu regimento interno, a APCF prestará todo o apoio associativo e jurídico cabível ao perito criminal federal citado, a fim de assegurar o devido respeito à ampla defesa e ao contraditório,” diz o documento.