Tarifaço: Lula diz ter sido pego de surpresa, e que não pode aceitar tratamento dos EUA

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar as tarifas propostas contra o Brasil.
Lula na reunião ministerial nesta quarta-feira,3. Foto: Marcelo Camargo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 3, em reunião ministerial, que foi pego de surpresa com a decisão do governo americano de propor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e posteriormente 12,5% na investigação comercial que envolveu bens elaborados com trabalho escravo, e que o Brasil não pode aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos.

O petista afirmou que enviará uma carta ao presidente americano, Donald Trump. E disse que o secretário de Estado Marco Rubio,  descendente de cubanos, é um “latino-americano frustrado”.

“Nós somos muito grandes, temos muita história. E nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil nesta semana”, declarou o presidente brasileiro em reunião ministerial.

O presidente disse que o país irá continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos.

“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar  as tarifas propostas contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os Estados Unidos anunciaram a conclusão de investigação sobre trabalho escravo contra 58 países e a União Europeia, propondo tarifas de 10% e 12,5%. No caso do Brasil, ficou no segundo patamar.

Com informações da Agência Brasil.