O vazamento de mensagens de Daniel Vorcaro, preso em Brasilia, para o ministro Alexandre de Moraes, torna ainda mais quente o clima nesta terça-feira, 1º de setembro, em Brasília.
Desde cedo, o jornal Estadão, a CNN e o portal Metropoles estão divulgando uma série de informações sobre a proximidade já revelada entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, agora com maior contundência. Algumas reportagens (resumo) destacadas pelo Estadão (clique para ler tudo):
Diálogos extraídos do celular do banqueiro indicam apelos de Daniel Vorcaro, até poucas horas antes de ser preso, para que o ministro recorresse ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República para colocar freios na Operação Compliance Zero; ‘Estadão’ pediu manifestação dos citados.
Uma longa troca de mensagens entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes indica que o banqueiro pediu reiteradamente ao ministro para que interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para travar as investigações sobre negócios fraudulentos da instituição financeira. As mensagens foram extraídas do celular do banqueiro e obtidas pelo Estadão.
O primeiro pedido de Vorcaro a Moraes no sentido de que o ministro tentasse influenciar a cúpula da Polícia Federal e do Ministério Público ocorreu em 30 de outubro de 2025. O banqueiro disse ao ministro que era “importante reforçar”, com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, a orientação para que “ninguém de baixo” – uma referência a delegados e a procuradores – fizesse “uma sacanagem” com o Banco Master, que, à época, estava prestes a anunciar uma alegada venda para um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e por investidores dos Emirados Árabes Unidos.
‘Acha que 2ª tenho que estar fora?’, pergunta Vorcaro a Moraes sobre sair do País a 2 dias de prisão
Dono do Banco Master e ministro do STF conversaram sobre detalhes sensíveis da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela Polícia Federal, indicam diálogos extraídos do celular Vorcaro; Moraes e defesa de Vorcaro foram procurados, mas não se manifestaram.
A troca de mensagens entre Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, indica que o ministro discutia com o banqueiro a possibilidade de a Polícia Federal deflagrar a primeira fase da Operação Compliance Zero e a estratégia que o dono do Master deveria adotar para frustrar o cumprimento da ordem de prisão preventiva contra ele expedida pela 10.ª Vara Federal do Distrito Federal
Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro consultou Moraes. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, sobre sair do País para escapar da prisão. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta e, depois, para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde buscava concretizar a venda do Banco Master. Para investigadores, pretendia fugir do País.
Procurados, o ministro e a defesa de Vorcaro não se manifestaram.
O compartilhamento de informações sigilosas entre Moraes e Vorcaro sobre os primeiros passos da investigação começou em 4 de novembro de 2025 e se intensificou à medida que se aproximava a prisão do banqueiro. Segundo investigadores, o conteúdo da conversa permite inferir que Moraes repassava a Daniel Vorcaro detalhes sensíveis sobre o andamento inicial da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela Polícia Federal.
Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, no domingo, 16, Vorcaro indagou o ministro pelo WhatsApp: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Moraes editou contrato de R$ 131 milhões de Viviane Moraes com Vorcaro, indicam registros
Metadados do documento enviado por WhatsApp pela mulher do ministro ao banqueiro registraram que perfil do Office de nome ‘Ministro Alexandre de Moraes’ foi responsável por últimas alterações no arquivo; Moraes e Viviane confirmam que ministro acessou contrato, mas negam irregularidades.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi responsável por editar a última versão do contrato de R$ 131 milhões em serviços advocatícios firmado entre o escritório da sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, conforme metadados do documento extraído do celular de Vorcaro, de uma investigação obtida pelo Estadão.
O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro Alexandre de Moraes acessou e editou o contrato. Segundo o escritório, o setor de compliance pediu ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação pelo Banco Master da banca da Viviane Moraes. (leia a íntegra da nota abaixo). A defesa de Vorcaro não se manifestou.
O envio do contrato, como mostrou o Estadão em julho, partiu do celular pessoal de Viviane para o banqueiro em 11 de janeiro de 2024, às 17h23. Na ocasião, ela escreveu: “Prezado Daniel, boa tarde. Conforme conversamos, estou enviando minuta de contrato de prestação de serviços para sua análise. Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Abraço. Viviane Barci de Moraes”.
Quatro dias após a remessa do rascunho por Viviane, o banqueiro devolveu o documento à mulher do ministro pelo WhatsApp, com marcas de revisão, segundo a investigação. “Boa noite! Segue o documento preenchido. Foi incluída apenas a cláusula I.3. Por favor, nos indique se está adequada. Caso estejam de acordo, combinamos a assinatura! Um abraço”, escreveu Vorcaro em 15 de janeiro de 2024, às 21h22.
Vorcaro autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para filhos de Moraes, aponta mensagem
Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do STF e advogados do escritório que firmou contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master, tiveram cartões autorizados pelo próprio banqueiro, indicam diálogos de seu WhatsApp; escritório diz que cartões ‘jamais foram usados por qualquer advogado ou pessoa do escritório’
O Banco Master emitiu, em outubro de 2025, cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A emissão dos cartões foi solicitada pelo escritório Barci de Moraes, comandado pela mulher do ministro, Viviane Barci, que firmou um contrato de R$ 131 milhões com o banco de Daniel Vorcaro.
As mensagens do celular do banqueiro indicam que, em 2 de outubro de 2025 – 15 dias antes de sua prisão no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos –, o administrador do escritório Barci de Moraes, Guilherme de Toledo Benazzi, entrou em contato com Vorcaro para tratar da emissão dos cartões.
“Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”
O próprio Vorcaro respondeu ao administrador do Barci de Moraes enviando o contato de Adriana Solano, superintendente executiva comercial do Master.
No mesmo dia, às 14h05, Adriana Solano enviou mensagem a Vorcaro questionando se poderia seguir com a emissão dos cartões de crédito para os filhos do ministro.
“O Guilherme que trabalha com a dra Viviane (Moraes) me ligou para emitir cartão para os filhos dela…. limite de 300 pra cada… posso seguir?”, perguntou a executiva do Master. “Ok”, consentiu Vorcaro.