Brasil e China firmam acordo para estudos de corredor ferroviário Atlântico-Pacífico

Uma ferrovia para transporte de cargas de portos brasileiros no Atlântico até a Asia deve reduzir em 10 dias o tempo de transporte.
Representantes do governo brasileiro e da China na cerimônia de assinatura do acordo. Foto: Michel Corvello.

O Brasil e a China firmaram nesta segunda-feira, 7, um memorando de entendimento para desenvolver em conjunto estudos para avaliar a viabilidade de um novo corredor ferroviário bioceânico, ligando o Brasil ao Oceano Pacífico, por meio do Porto de Chancay, no Peru.

O acordo foi assinado pelo pela Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, com o Instituto de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group, braço estratégico da maior empresa pública ferroviária do mundo.

O objetivo central do corredor ferroviário bioceânico é proporcionar que o transporte de cargas de produtos brasileiros seja feito para a Asia em menor espaço e tempo e menor custo. A ferrovia seria administrada pela estatal chinesa Cosco (China Ocean Shipping Company).

“Celebramos hoje a assinatura deste memorando de entendimento, um marco na cooperação entre o Brasil e a China na área ferroviária. Este não é apenas um gesto formal, é o primeiro passo de uma jornada técnica, institucional e diplomática que visa aproximar continentes, reduzir distâncias e fortalecer laços entre nações que compartilham uma visão de longo prazo”, afirmou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, na assinatura do documento.

A diretora de Administração e Finanças da Infra S.A., Elisabeth Braga, disse que a empresa pública federal inicia uma parceria estratégica para construir os melhores estudos para alavancar a infraestrutura ferroviária no Brasil, em especial, esse estudo específico da conexão do continente americano na parte sul do continente. “A Infra S.A. está pronta para desenvolver essa parceria”, ressaltou.

A articulação para a formalização do memorando foi iniciada em abril, com visitas de delegação à China e da China ao Brasil. Equipes dos dois países tem se debruçado sobre análises da logística brasileira, com foco no escoamento da produção agrícola e mineral do Centro-Oeste para os portos do Arco Norte e do Sudeste.

A ferrovia é parte de um plano maior de integração de países da América do Sul, com quem o governo brasileiro mantem tratativas. Em maio do ano passado, o governo federal baixou decreto criando Comissão Interministerial para a Infraestrutura e o Planejamento da Integração da América do Sul, com a finalidade de articular as ações de governo para a melhoria da integração da infraestrutura física e digital entre os países da América do Sul.

A ferrovia para transporte de cargas de portos brasileiros no Atlântico até a Asia deve reduzir em 10 dias o tempo de transporte.

São quatro as rotas que compõem o plano de integração sul-americana, um projeto sob responsabilidade do Ministério do Planejamento.

Rota 1 – Ilha das Guianas (Brasil, Suriname, Venezuela, Guiana e Guiana Francesa).

Rota 2 – Amazônica (Amazonas — Colômbia, Peru e Equador).

Rota 3: Quadrante Rondon (Acre, Rondônia e Mato Grosso — Peru, Bolívia e Chile).

Rota 4: Bioceânica de Capricórnio (Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina — Paraguai, Argentina e Chile).

Rota 5: Bioceânica do Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul — Uruguai, Argentina e Chile).

Apresentacao-rotas-de-integracao América do Sul