Ciro Nogueira recebia mesada de R$ 300 mil de Vorcaro, diz PF

Mesada pode ter chegado a R$ 500 mil, diz a Polícia Federal; investigadores dizem que o senador instrumentalizou o mandato a serviço do banqueiro do Master.
Ministro André Mendonça autorizou buscas nesta quinta-feira,7. Foto: Carlos Moura.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo a Polícia Federal, recebeu propinas de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, cujos valores seriam de R$ 300 mil mensais podendo chegar a R$ 500 mil. A PF diz também que o parlamentar  “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar” para atender interesses do banqueiro no Congresso Nacional.

Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira, 7, na quinta fase da Operação Compliance Zero. A PF fez mandado de busca e apreensão em sua residência em Brasília.

O valor de R$ 300 mil é citado na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou as diligências com base em provas reunidas pela PF. O valor, segundo a investigação, teria evoluído para R$ 500 mil.

O senador também teria sido favorecido pela utilização de um imóvel de alto padrão de Vorcaro, que teria ainda custeado hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.

Estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e a sua acompanhante são outros benefícios dados ao senador para que ele agisse a favor do Master.  Um cartão para gastos pessoais também foi disponibilizado por Vorcaro para Nogueira.

A decisão do ministro menciona ainda que Ciro Nogueira adquiriu participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, uma operação que teria sido viabilizada por Vorcaro.

Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira

A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.

Abaixo integra da decisão de André Mendonça para cumprimento da operação:

Decisão Andre Mendonça