Após muitas conversas com o governo Donald Trump, quando deixou claro ser contra a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital ) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promove reunião nesta sexta-feira, 29, para avaliar uma reação à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos, anunciada na quinta-feira, 28, de assim classiicar essas organizações.
A medida, que passará a valer a partir do dia 5 de junho, foi decidida à revelia do governo brasileiro.
Por enquanto, apenas o assessor especial do presidente Lula, Celso Amorim, esboçou reação à medida. Segundo Amorim, a ação da Casa Branca não pode ser um pretexto para uma intervenção americana sobre o Brasil.
“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou Amorim em nota.
O governo petista, mesmo considerando que uma decisão punitiva por parte do governo Trump pudesse ocorrer, foi surpreendido pelo governo norte-americano.
Aliados atribuem que a classificação ganhou impulso político com a visita de Flávio Bolsonaro a Trump, que politicamente irá faturar como alguem que se preocupa com o setor que mais aflige a população, ao passo que Lula será classificado como um gestor que não combate o crime organizado.
O senador e pré-candidato de oposição Flávio Bolsonaro pediu expressamente o enquadramento das facções como terroristas. Ele se reuniu com Donald Trump na terça-feira, 26, e no dia seguinte com Marco Rubio, do Departamento de Estado. Um dia após o encontro com o senador do Brasil, Rubio anunciou o enquadramento das duas facções do Brasil como organizações terroristas.
Uma resposta pública do governo deverá vir do Itamaraty ou do próprio presidente da República. Há os que apostam em uma reação semelhante a julho, quando Trump promoveu o tarifaço, e o governo se apegou ao apelo da soberania nacional para se contrapar ás ações de Eduardo Bolsonaro fora do país em defesa da açao do norte-americano.
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