Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 19 pelo jornal Folha de São Paulo, aponta que 67% dos brasileiros têm dívidas financeiras, como empréstimos, e pouco mais de um a cada cinco, ou 21%, tem parcelas em atraso.
Foram entrevistados pelo Datafolha 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios do Brasil nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima e para baixo, dentro do nível de confiança de 95%.
O endividamento das famílias brasileiras atravessa todo o governo Lula 3, que lançou o Desenrola sem obter resultado expressivo na redução do endividamento. Pelo contrário, ele aumentou. Depois, o Ministério do Trabalho surgiu com o Credito do Trabalhador, para empregados celetistas, dando aos bancos como garantia de empréstimo consignado para quitar dívidas uma parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), patrimônio do trabalhador. O resultado? Mais endividamento.
Segundo levantamento feito e publicado no site Poder360, o endividamento das famílias que contrataram o Credito do Trabalhador, aumentou 80% em cinco meses. O fato é relatado em um Contraponto, no blog, sobre a nova proposta em curso do governo Lula3.
A ideia é de novo usar o patrimônio do trabalhador, o FGTS, para emprestar dinheiro a fim de quitar dividas com os bancos. Do mesmo jeito que o empréstimo consignado, não resolverá o problema: é uma espoliação e favorecimento aos bancos, que ganham com os juros absurdos. Não há nem nunca houve um plano estruturante.
O Banco Central, em janeiro, registrou que o comprometimento da renda das famílias com divida atingiu o recorde da série histórica, com 29,3%. É cada vez crescente a dificuldade em fechar as contas do mês e honrar dividas com bancos.
Entre os entrevistados do Datafolha que disseram ter recorrido a empréstimos de amigos e familiares, grupo que chega a 41%, 29% buscaram esta saída por inadimplência no rotativo do cartão de crédito, 26% por dívidas contraídas junto a bancos e 25% em carnês de lojas.
Os sacrifícios para enfrentar o cenário de endividamento passam pela redução de quantidade de alimentos (para 52%); corte nos gastos com lazer (64%) e redução da quantidade de refeições fora de casa (60%).
O levantamento investigou também a inadimplência em contas de consumo e serviços. Entre os ouvidos, 28% afirmam que estão em atraso com elas. Os atrasos mais citados são nas contas de telefone/celular/internet (12% dos inadimplentes), IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), luz (11%) e água (9%).