Fraudes no INSS: delação de Camisotti em fase final com entrega de organograma

A colaboração do empresário detalha quem fazia parte desse esquema, que consistia em descontar nos contracheques de aposentados e pensionistas por meio de autorizações fraudadas valores mensais, com aval do INSS. 
Maurício Camisotti. Foto: Reprodução/ Web.

A delação do empresário Maurício Camisotti, um dos operadores das fraudes no INSS que movimentaram R$ 6,5 bilhões, segundo a Operação sem Desconto, da Polícia Federal, chega ao fim com a entrega de organograma  aos investigadores. A informação é do jornalista Elijonas Maia, da CNN.

Camisotti assinou delação premiada com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República sobre o esquema que prejudicou milhares de aposentados e pensionistas com o esquema de descontos ilegais de benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social, INSS.

A colaboração do empresário detalha quem fazia parte desse esquema, que consistia em descontar nos contracheques de aposentados e pensionistas por meio de autorizações fraudadas valores mensais, com aval do INSS.

Maurício Camisotti estava preso em Guarulhos, mas em março deste ano foi transferido para uma carceragem da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo para facilitar negociações com objetivo de fechar a delação premiada. Segundo a CNN, o empresário já prestou ao menos dez depoimentos aos investigadores.

O empresário e familia mantinham pelo menos tres entidades para fazer repasses, segundo a CPMI do INSS. Cerca de R$ 350 milhões teriam chegado às organizações ligadas aos Camisotti.

Em fevereiro deste ano, Paulo Camisotti, filho do empresário, esteve na CPMI do INSS na condição de testemunha mas permanceu calado.  Para os parlamentares, a família Camisotti movimentou valores muito superiores aos atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado até então como o maior operador financeiro do caso. Paulo seria herdeiro do que os senadores e deputados chamaram de “império do crime.”

Após a conclusão da delação, ela é enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator das Fraudes do INSS, que decidirá sobre a homologação ou não da delação premiada, para que o investigado tenha benefício.

O caso do roubo de aposentados e pensionistas veio  a público com a deflagração da Operação Sem Desconto em abril de 2025. Entidades associativas diversas se uniram em conluio com diretores do INSS e há políticos suspeitos – por isso o caso está no STF – de envolvimento no esquema, que vinha acontecendo há muitos anos.

Dados da Controladoria Geral da União (CGU) apontam, no entanto, que nos primeiros anos do atual governo os valores  se tornaram estratosféricos, superando R$ 3 bilhões, quase a metade do total desviado a partir de 2019.

Duas frentes de investigação sobre as fraudes no INSS foram finalizadas, com indiciamento de 54 pessoas, dentre elas o empresário e lobista Camilo Antunes; o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto; o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira; ex-procurador do INSS Vírgilio Antonio Ribeiro; André Fidélis, ex-diretor de Benefícios e presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

Na operação em que Camisotti foi preso, em setembro de 2025, a PF apreendeu mais de R$ 2 milhões em bens como  carros e motos de luxo, esculturas, quadros e outras obras de arte.