Durante cerimônia de inauguração da nova sede do campus Campus Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), obra incluída no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira, 2, o anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros feito pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), atribuiu a medida a pedido do pré-candidato Flávio Bolsonaro, que na semana passada esteve com o presidente Donald Trump, e o chamou de “imbecil.”
Lula, indo além, responsabilizou a família Bolsonaro pela tarifa, assunto que vinha sendo tratado pelos governos brasileiro e americano, e por isso o Palácio do Planalto foi surpreendido com a medida. “Os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São traidores”, afirmou.
No evento estavam também os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da República) e Leonardo Barchini (Educação).
Segundo o que foi divulgado, o USTR atribui ao governo do Brasil pontos criticos que prejudicam o comercio norte-americano, entre eles desmatamento ilegal, PIX, propriedade intelectual, etanol e corruupção entre outros. Audiências e consultas devem ser realizadas até o dia 15 de julho, data prevista para a tarifa entrar em vigor. A decisão efetiva sobre a tarifa cabe exclusivamente ao presidente Trump.
Em uma entrevista à rádio Itatiaia, nesta terça-feira, 2, antes da inauguração em Goiás, Flávio Bolsonaro disse que pediu a Trump que não taxasse os produtos brasileiros. “Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente(JD)Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles”, afirmou Flávio, referindo-se à visita a Washington na semana passada.
“Os meninos do Bolsonaro, um deles que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, no dia em que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos um Magnitsky’”, disse Lula em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “O filho dele hoje foi para a televisão dizer que não disse nada. Eu vou repetir: no dia 9 de julho de 2025, no dia em que o Trump nos puniu, ele disse: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo’”.
O presidente Lula também relembrou, no discurso, do seu encontro com Trump em 7 de maio, numa reunião de três horas sem a presença do Secretário de Estado Marco Rubio, a quem tem antipatia por achá-lo contrário à América Latina e ao Brasil.
Naquele momento, Lula disse ter entregue quatro documentos ao presidente americano, incluindo um sobre comércio, para argumentar que os EUA não têm déficit com o Brasil e que os principais produtos americanos entram no País sem pagar imposto.
O presidente informou que os EUA acumulam superávit de mais de US$ 415 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos e que, por essa lógica, seriam os brasileiros, e não os americanos, que teriam motivos para elevar tarifas.
Falsos patriotas
O vice-presidente Geraldo Alckmin também criticou a tarifa de 25%, anunciada na madrugada de segunda, 1º. Referindo-se à família Bolsonaro, atribuiu esse anúncio a “falsos patriotas e sabotadores que colocam interesses pessoais e eleitorais acima do país. Vamos trabalhar e dialogar para que essas medidas não se concretizem”, disparou o vice-presidente após uma reunião com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).