A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro comunicou aos investigadores da Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República que finalizou um esboço de proposta de delação premiada, e já encaminhou o documento às instituições. A informação é do jornal O Estadão.
A proposta, segundo o jornal, irá tramitar sob sigilo. Ela contém uma lista de temas, os chamados “anexos” do acordo, cada um deles tratando de diferente assunto, com indicação de envolvidos em cada fato e meios de prova. Em razão do sigilo, não há detalhes sobre cada um dos temas.
É um passo do processo de delação decidida por Vorcaro, mas ainda falta muito para o desfecho. Os investigadores vão analisar a consistência e se há nos relatos informações que completam as obtidas no celular do banqueiro e outras que sejam inéditas. Após essa análise, começa uma negociação concreta com a defesa de Vorcaro sobre as condições de pena e devolução de recursos.
O Estadão informa sobre a possível inclusão de peça complementar do acordo de delação de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado por investigadores como o operador financeiro de pagamentos ilícitos realizados a diversas pessoas, engrenagem fundamental da organização criminosa identificada pela Polícia Federal.
Zettel não teria buscado uma negociação independente para sua deleção, com o objetivo de oferecer os acordos em conjunto. Segundo o jornal, Vorcaro deverá pleitear no acordo proteção para seu pai, Henrique, e sua irmã, Natália, ambos citados nas investigações.
A expectativa dos investigadores é a de que o banqueiro ofereça novos elementos de provas, material e conteúdo inédito, diverso do que os investigadores já conseguiram obter por meio da quebra da criptografia do celular do banqueiro, apreendido pela PF.
Há celulares cujos conteúdos ainda não foram avaliados. O relacionamento com políticos e com integrantes do Judiciário são pontos fundamentais para desvendar a atuação da organização criminosa a partir da gestão do Master.
Preso pela segunda vez no dia 4 de março, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade no dia 19 de março para dar início à negociação de delação. Ele foi transferido do presídio federal de segurança máxima para a Superintendência da PF em Brasília, com o objetivo de iniciar a elaboração do acordo em conversas diárias de trabalho com seus defensores.
A defesa de Vorcaro teve acesso à cópia da extração do telefone celular do banqueiro apreendido pela PF, fonte de prova usada para construir a proposta.
Nesse ínterim, outra proposta de delação surgiu: a do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Preso em 16 de abril, o ex-executivo do BRB já manifestou interesse em colaborar.