Galípolo e Campos Neto convocados para CPI no dia 8, quarta-feira

Colegiado da CPI do Crime Organizado quer ouvir ex e atual presidente do Banco Central sobre entrada de instituição financeira no crime organizado e reunião com Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto.
Senador Eduardo Girão pediu oitiva de Galipólo. Foto: Waldemir Barreto/Ag. Senado.

O ex-presidente do Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025  Roberto Campos Neto e o atual presidente Gabriel Galípolo foram convocados pela CPI do Crime Organizado, no Senado, na condição de convidados, para prestar esclarecimentos na sessão agendada para 8 de abril, quarta-feira, a partir de 9h.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou requerimento para comparecimento de Gabriel Galípolo a fim de que ele esclareça as razões de sua participação em reunião mencionada pela imprensa que teria ocorrido em novembro de 2024 no Palácio do Planalto, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministro da Casa Civil Rui Costa e então presidente do Banco Master Daniel Vorcaro “em contexto no qual a instituição financeira já se encontrava sob investigação por supostas irregularidades de elevada gravidade.”

“A presença de dirigente do Banco Central do Brasil em encontro dessa natureza, envolvendo agente econômico investigado, suscita questionamentos legítimos quanto à finalidade institucional da reunião, ao seu conteúdo e aos limites da atuação de autoridades monetárias em situações sensíveis do ponto de vista regulatório e investigativo,” justifica pedido do senador Girão.

O senador diz também que a convocação de Galípolo é indispensável para o “adequado esclarecimento dos fatos e fortalecimento da confiança publica nas instituições.” Eduardo Girão esclarece, no requerimento, que a oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, “mas à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro, temas diretamente relacionados ao objeto desta CPI.”

Roberto Campos Neto

A oitiva de Campos Neto é solicitada pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).  “A presente convocação não lhe atribui a priori qualquer responsabilidade pelos fatos objeto desta investigação. Seu depoimento é requerido neste momento exclusivamente na condição de testemunha qualificada, cujo conhecimento sobre os procedimentos, os instrumentos e as práticas
institucionais do Banco Central pode contribuir de forma relevante para os trabalhos desta Comissão,” diz requerimento do senador.

“Um dos aspectos sobre os quais o depoimento de Roberto Campos Neto pode ser de grande utilidade diz respeito aos procedimentos adotados pelo Banco Central para autorizar o ingresso de novos controladores no sistema financeiro nacional.  A compreensão técnica desses processos — os critérios de análise de idoneidade, as etapas de instrução dos pedidos, os requisitos regulatórios exigidos e os mecanismos de acompanhamento posterior à autorização — é fundamental para que esta Comissão avalie, com a precisão necessária, de que forma instituições financeiras podem ser utilizadas como veículo para atividades ilícitas e quais são os pontos de vulnerabilidade nos processos de controle regulatório,” diz justificativa do pedido.

Requrimento convocação Roberto Campos Neto

Requerimento convocação Gabriel Galipolo