Foragido desde novembro de 2025, o presidente daConfederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, entregou-se na quarta-feira, 12, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde se encontra preso desde então.
Havia um mandado de prisão expedido pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do caso das fraudes no INSS, objeto da operação Sem Desconto, desencadeada em abril do ano passado.
Relatório final da Policia Federal sobre o núcleo da Conafer conclui que o esquema da entidade de desvio de recursos de aposentados e pensionistas por meio de descontos não autorizados dos benefícios do INSS permitiu o desvio de mais de R$ 708 milhões. O valor teria sido obtido entre 2019 e 2024, segundo as investigações. A PF diz que é a entiadade que mais aumentou, em números absolutos, os descontos irregulares.
Segundo ainda o documento, 91% desse montante, cerca de R$ 644 milhões, foram rapidamente direcionados para empresas de fachada e utilizados para enriquecimento ilícito dos integrantes da organização e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Ao longo de mais de 800 páginas, o relatório detalha uma estrutura que, segundo a investigação, era liderada por Carlos Roberto Ferreira Lopes, e contava com operadores financeiros, empresários, dirigentes da entidade e agentes públicos responsáveis por garantir a continuidade do esquema.
O presidente da Conafer já havia sido indiciado pela PF no primeiro inquérito do caso junto com outras 47 pessoas. Carlos Roberto chegou a ser preso pelo presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), porque ele teria mentido na oitiva, desrespeitando o compromisso de falar a verdade. Ele foi liberado após pagar fiança de R$ 5 mil.
O esquema de descontos ilegais de benefícios de aposentados, segundo a investigação da Operação Sem Desconto, alcança mais de R$ 6 bilhões, e teria começado em 2016. O maior valor arrecadado por entidades associativas ocorreu já no governo Lula3 (ver gráfico da CGU).