O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou denúncia contra o suspeito acusado de matar a enfermeira indígena Gleicia Arikapu, 38 anos, na Aldeia Arikapu, zona rural de São Miguel do Guaporé. O filho de 16 anos encontrou a mãe assassinada, dentro de casa.
O suspeito é o ex-companheiro da enfermeira, que não aceitava o fim do relacionamento. Ele foi denunciado pelo MP por feminicídio, praticado por motivo torpe, sem possibilidade de defesa da vítima. O promotor de Justiça Rodrigo Nicoletti assina a denúncia, que inclui também outras duas pessoas, apontadas como responsáveis por auxiliar o acusado após o crime.
Segundo a denúncia, Gleicia foi morta com um disparo de arma de fogo na tarde do dia 2 de maio de 2026. O acusado teria atingido a vítima no rosto com um tiro efetuado a curta distância dentro da residência do casal. Ele foi preso, disse que a arma disparou acidentalmente mas a Polícia Civil desmontou a tese.
Histórico de violência
De acordo com a investigação, conduzida pela Polícia Civil, ambos mantinham união estável havia cerca de um ano. A apuração aponta que a vítima já demonstrava intenção de encerrar o relacionamento, situação que não era aceita pelo denunciado.
Há informações de histórico de violência, conforme as investigações feitas. Entre janeiro e maio deste ano o acusado teria ameaçado Gleicia de morte com uma faca, em contexto de violência doméstica e familiar.
Os outros dois denunciados são também índigenas. O acusado, após o crime, teria procurado os dois na base da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), quando teriam recebido a arma utilizada no homicídio para ocultá-la em uma área de floresta, a fim de dificultar o trabalho da polícia.