PF rejeita delação de Vorcaro, e PGR diz que vai continuar negociação

Nem mesmo a prisão do pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, contribuiu para que o banqueiro apresentasse elementos novos, com a relação com o senador Ciro Nogueira e com o ministro Alexandre de Moraes.
Vorcaro não apresentou nada novo à PF. Foto: Reprodução/Master.

A Polícia Federal comunicou  na quarta-feira, 20, ao relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ter rejeitado a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os investigadores consideram que as informações apresentadas pelo Vorcaro em anexos não são inéditas, não justificando a assinatura de um acordo.

Vorcaro, preso no começo de março pela segunda vez, começou a negociar a delação em 19 de março. Após 45 dias, entregou uma proposta com pontos para delação, mas nada de novo foi apresentado além do que os investigadores conseguiram ao quebrar a criptografia de seu celular.

Nele, a PF identificou a existencia de uma organização criminosa que vai além das fraudes no mercado financeiro.

Para a PF,  Vorcaro fez uma delação seletiva e não contou tudo o que sabia sobre personagens relevantes.

O banqueiro nada apresentou, por exemplo, sobre sua relação com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que esteve em sua mansão, jantou com ele, segundo relatos divulgados pela imprensa, e sua mulher, Viviane Barci de Moraes firmou contrato de R$ 129 milhões com o Master.

Nada trouxe, também, sobre sua relação com o senador Ciro Nogueira, que acabou por sofrer ação de busca e apreensão, e que receberia mesada de ate R$ 500 mil do banqueiro fraudador.

A prisão do pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, não contribuiu para que Vorcaro apresentasse elementos inéditos a negociação de delação.

Segundo o jornal Estadão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu, com seus investigadores, insistir no fechamento de uma proposta de delação, mas já teriam deixado claro a defesa de Vorcaro que a proposta apresentada é insuficente e se faz necessário apresentar “complementos” aos relatos entregues.

Depois que a defesa entregou pontos da delação, a PF fez duas novas fases da Operação Compliance Zero, que atingiram primeiro o senador Ciro Nogueira (PP-PI) – ele nega recebimento de mesada – e depois o pai de Vorcaro, acusado de pagar pelos serviços do grupo de milicia utilizado pelo banqueiro para atacar e intimidar pessoas que atuavam contra seus interesses.