Petrobras descobre petróleo na Bacia da Foz do Amazonas após ganhar leilão há 13 anos

Bloco FZA-M-59, que abrange o Amapá e parte do Pará, é um dos doze concedidos na Foz do Amazonas em 2013 em leilão da ANP, e só não é explorado ainda em função da intensa disputa com o meio ambiente.
Sonda NS-42 utilizada pela empresa para identificar hidrocarbonetos. Foto: Divulgação/Petrobras.

A Petrobras constatou a presença de hidrocarbonetos em poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas, na margem equatorial brasileira. A distância da Foz é de 50O km. A informação é da empresa petrolífera. Ainda não foi divulgado o o potencial da reserva.

Margem equatorial: fronteira exploratória de petróleo abrange 6 estados. Imagem: Petrobras.

O bloco FZA-M-59, que abrange os Estados do Amapá e parte do Pará, é um dos doze blocos na Foz do Amazonas concedidos em 2013, portanto há 13 anos, na 11ª rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Levou anos até a Petrobras conseguir licença, já quase no final do atual governo, para fazer perfuração não de exploração em si mas para confirmar o potencial de petróleo.

A presença de hidrocarbonetos significa que foram encontrados indícios de petróleo ou gás natural.

A licença foi dada pelo Ibama em outubro do ano passado, após longo cabo de tensão entre o Ministério de Minas e Energia e Ministério do Meio Ambiente.

O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá, em uma profundidade de 2.886 metros.

A margem equatorial exploratória brasileira alcança mais de 2.200 quilômetros e abrange, além do Amapá e Pará, o Ceará, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte, totalizando seis estados.

“Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país,”disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard .

O intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado através de perfis elétricos e indicativos em rocha. As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas.

A atuação da Petrobras no bloco FZA-M-59 está alinhada à estratégia da companhia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira, visando ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética justa.

O intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado através de perfis elétricos e indicativos em rocha. As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas.

A Margem Equatorial abrange cinco bacias em alto-mar, entre elas a Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, cujalicença para prospecção marítima foi negada em maio de 2023 e gerou debates públicos sobre a exploração da região. Na ocasião, o Ibama alegou que a decisão foi tomada “em função do conjunto de inconsistências técnicas” para uma operação segura em nova área exploratória, como deficiência no Plano de Proteção à Fauna. A Petrobras atendeu as exigências do órgão ambiental, mas outros sempre eram apresentados.

Até a presença de corais foi levada em conta pelo orgão de meio ambiente, quando pesquisadores da Universidade Federal do Pará e outros destacaram não haver a presença deles, identificada pela organização internacional Greenpeace.

Essa organização fez até campanha questionando os riscos do empreendimento, sem o menor conhecimento sobre esses organismos do ecossistema marinho, como demonstrou o pesquisador do Pará Luís Ercílio Faria Junior, doutor em Ciência Naturais da Universidade Federal do Pará (UFPA), que estudou a Foz do Amazonas.

Na verdade, disse o pesquisador, os “corais ameaçados” tão propagados pela ONG correspondem a um outro tipo de estrutura: “Os mapas oficiais garantem que as regiões indicadas pelo Greenpeace como ‘Corais da Amazônia’ são, na verdade, rochas calcárias”, alertou. Na verdade, a região assinalada pela organização indica a existência de rochas carbonáticas ou calcárias, e disse que fotos apresentadas de corais são falsas.

Leia mais:

Exploração de petróleo na Margem Equatorial  é debatida em São Luís (MA)

Margem Equatorial: Ibama aprova plano de socorro  à fauna em caso de vazamento de óleo durante pesquisa

Exploração de óleo e gás da Margem Equatorial é oportunidade estratégica para a região Norte, dizem pesquisadores da UFF

Margem equatorial: Petrobras obtém licença do Amapá para operar centro de fauna

Margem Equatorial: “O Ibama parece que é um orgão contra o governo,” diz Lula.

Margem equatorial: Petrobrás prepara mais uma base, no Amapá, para tratar fauna marinha

Exploração de petróleo na Margem Equatorial: surreal, enredo do Ibama tem fake news cientifica, servilismo e lentidão

”Exploração de petróleo na margem equatorial é questão de Estado,” diz diretor de Instituto de Petróleo

Estudo de cientistas na Margem Equatorial mostra que correntes marítimas seguem em direção contrária à costa

CNI projeta 326 mil novos empregos com exploração de petróleo na Margem Equatorial

Petróleo na margem equatorial: doutor em geofísica diz que não existem corais no litoral amazônico

Margem equatorial:Petrobras de novo aciona Ibama sobre exigência ambiental